Pró-Música Grande ABC
ABC Editorial
Buscar
Fundação Japão
A Associação
Temporada 2002
Concertos Grande ABC
Entrevistas
Mundo da Música
Pró-Música na TV
Colunistas
Guia de Teatros
Espaço Aberto
Patrocinadores
Sala de Imprensa
Associe-se
Fale Conosco

Temporada 2002

Ludwig Van Beethoven (1770-1827)
por: Ernesto Goldberg
foto destaqueudwig Van Beethoven nasceu no dia 17 dezembro de 1770 na cidade de Bonn, na Alemanha, à beira do Reno. Seu pai, Johann Van Beethoven, era músico, trabalhando a serviço do príncipe local. De ascendência holandesa, o músico Johann, que já havia perdido vários filhos, só tinha uma ambição: que seu filho Ludwig fosse um novo Mozart.

Desde pequeno fez o filho estudar música, a ponto de fazê-lo negligenciar outros estudos, apenas para poder exibí-lo como um novo prodígio na Europa, tal como Mozart anos antes. Para tanto, deixou o ensino musical do filho confiado ao professor Christian Gottlob Neefe, organista da corte de Bonn. Extravagante, entregue ao álcool, o pai de Ludwig forçava-o a tocar nas horas mais estranhas, muitas vezes tirando o menino da cama de madrugada para exercitar-se ao piano.

A sua vida artística pode ser dividida em tres fases: 1ª fase, quando em 1792 se mudou para Viena, onde alcança a fama como brilhante improvisador no piano; 2ª fase, quando se inicia a redução da acuidade auditiva, fato que o leva a pensar em suicídio, idéia que abandona logo depois para criar sua obra. Em 1814 Beethoven já era reconhecido como o maior compositor do século; 3ª fase, quando fica completamente surdo. São seus últimos dez anos de vida, quando se afasta de todos. Impedido de executar e ouvir música, escreve obras abstratas que, naquele tempo, ninguém compreende.

A primeira ocupação oficial de Beethoven foi como assistente de Neefe, cumprindo as funções de organista e tocando na orquestra do príncipe Maximiliano Francisco. Aos 17 anos viajou para Viena, onde parece ter se encontrado com Mozart, embora não esteja provado que chegou a tomar aulas com ele. Embora pretendesse ficar em Viena, a morte de sua mãe o levou de volta a Bonn. A família de Beethoven, nessa época, estava em franca decadência. Seu pai, vencido pelo alcoolismo, mantinha-se autoritário, irascível e violento. Os irmãos Karl e Johann, que ainda dariam muito trabalho à Beethoven, eram pequenos. Ludwig tomou a frente da situação, requerendo às autoridades metade do salário de seu pai, para poder sustentar os irmãos.

Nos anos seguintes Beethoven trabalhou na orquestra do príncipe, escrevendo obras encomendadas pela nobreza local e reforçando, desse modo, seus vínculos com a aristocracia. Entre seus amigos estava o conde de Wallenstein, que muito contribuiu para o sucesso de Beethoven. A palavra do conde, por exemplo, teve influência na decisão de Beethoven, aos 21 anos, de partir para Viena para estudar com Haydn. Chegava, desta maneira, a sua segunda e definitiva cidade. Os estudos com Haydn duraram pouco tempo, e Beethoven estabeleceu-se na capital austríaca como concertista e compositor, ao mesmo tempo que prosseguia seus estudos musicais com outros professores.

Jovem, respeitado como um bom músico, tudo se encaminhava para que Beethoven se tornasse mais um dos inumeráveis compositores que viviam em Viena na mesma época. Todavia, algo se abatia sobre o jovem compositor: ele estava ficando surdo. A partir daí surge o Beethoven quase mítico que conhecemos. O drama da surdez, que o músico procura esconder a princípio, ganha proporções assustadoras na vida do jovem quando descobre que seu mal é incurável. Pouco a pouco, afasta-se do convívio social, no auge de sua fama, passando a viver como compositor e professor. É dessa época o famoso Testamento de Heilligenstadt, no qual Beethoven afirma sua convicção na música como única redentora de todos os males.

É o legado metafísico de um homem desencantado com o mundo, mas ao qual não pode subtrair-se pois tem consciência de suas tarefas. E, paradoxalmente, sua fama, já nesta época considerável, aumenta a cada obra sua que é publicada. A vida particular, por outro lado, parece afastar-se cada vez mais da esperança de felicidade. Seus vários relacionamentos amorosos terminam de maneira mais ou menos dolorosa, deixando profundas marcas no espírito do compositor, que se ve envelhecer antes do tempo. Os nomes se sucedem, imortalizados nas obras que o mestre lhes dedicou: Julie Guiccardi, Therese e Josephine Von Brunswick, Bettina Brentano e muitas outras, cuja paixão do solitário músico inspirava mais compaixão que verdadeiramente amor. Há, neste particular, uma curiosidade: quem terá sido a " amada imortal " à quem Beethoven dedicou uma belíssima carta de amor que nunca foi entregue?

Beethoven não se deixa abater. Nasce o mito do herói que luta, com sua arte, através das dificuldades para satisfazer seu próprio ideal estético. Artistas de todo o mundo vinham conhecê-lo, trazendo partituras para que ele desse um parecer. Rossini, Liszt e Schubert, entre outros, foram recebidos com cordialidade e afabilidade pelo músico. Ao mesmo tempo, suas composições, criadas sem a menor preocupação em respeitar as regras até então seguidas, são aclamadas. Beethoven inaugura a tradição do compositor livre, que escrevia música para si, sem estar vinculado a um príncipe ou nobre. Tudo, em Beethoven, traz a marca da liberdade; era solitário, não tinha vínculos e responsabilidades com ninguém senão consigo mesmo.

Tal situação somente se alterou com a morte de seu irmão Karl, que o havia nomeado tutor do sobrinho do mesmo nome. O processo que Ludwig disputou com a cunhada pela guarda do sobrinho foi o primeiro de uma série de desgostos que o acompanhariam pelo resto de sua vida, culminando com a tentativa de suicídio de seu sobrinho, anos depois. A surdez de Beethoven piorava. Um de seus concertos em Viena, justamente na estréia de sua Quinta Sinfonia, foi um fiasco total. O músico, sem distinguir uma só nota, insistiu em reger a orquestra, que, desorientada, não conseguiu tocar bem a partitura. Em 1823, Beethoven colocou o ponto final em uma obra que lhe demandara mais trabalho, e que lhe era das mais caras: a Nona Sinfonia.

Preocupado com a possível má recepção do público vienense, Beethoven pretendia estreá-la em Berlim. A notícia, sabe-se lá como, foi espalhada pela cidade. Imediatamente as cabeças pensantes de Viena endereçaram um pedido, quase uma súplica, para que ele estreasse sua obra lá. Foi programado um concerto, no Kärtnetor-Theater, no dia 7 de maio de 1824. Além da Nona Sinfonia, foram apresentados trechos da Missa Solene e outras obras. Beethoven foi dissuadido de aceitar a regência, mas teve direito a um lugar especial junto ao maestro. Ainda no terceiro movimento da sinfonia irromperam palmas.

Terminado o quarto movimento, o triunfo: a platéia vienense o aclamava. Entrementes, Beethoven não ouvia nada, observando calmamente a partitura da sinfonia. Foi preciso que um contralto, Caroline Unger, o tomasse pela manga e o mostrasse ao público delirante. Depois desse triunfo, Beethoven ainda compôs suas obras mais complexas, os últimos quartetos de cordas, muito apreciados na virada do século. Sua saúde, porém, começava a se deteriorar.

Em 1827, no dia 26 de março, às 17:45 h, durante uma tempestade, Beethoven morreu, vitimado por cirrose crônica herdada, talvez, do pai, brandindo a mão fechada contra o céu, num último gesto de rebeldia.

fonte: Arquivo - Diário do Grande ABC

Sites relacionados:

Classical Music Pages: http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/beethoven.html
Beethoven - The Immortal:
http://www.lucare.com/immortal/
Saiba mais...
Antonin DvorákAntonín Leopold Dvorak nasceu em Nelahozeves (República Tcheca), em 8 de setembro de 1841. Filho de um humilde comerciante, aos oito anos de idade Dvorak teve despertada sua vocação musical. Leia mais...
Conheça...
O Teatro...
Teatro Municipal de Mauá - SP
Um dos novos teatros e auditórios com diferentes perfis que estão surgindo no país é o Teatro Municipal de Mauá - SP, inaugurado em dezembro de 2001, com arquitetura de Rafael Perrone e projeto acústico de Milton Granado. Leia mais...
Guia de Teatros
Guia de TeatrosNão sabe como chegar ao teatro? Descubra o melhor itinerário consultando o nosso Guia de Teatros

Pró-Música Grande ABC é marca registrada. Copyright © 2002
Todos os direitos reservados. Webdesign
Kuantika.Com